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Esta 9ª edição do “Jazz no Inverno” põe-nos perante o eterno dilema: prosseguir, contra tudo e (quase) todos, ou acabar com o Festival, de pé, com a cabeça erguida. Podemos evitar assim a morte por asfixiamento, o arrastar-se, moribundo, aos olhos de todos e gáudio de alguns, até a um final anunciado. Decidimos mais uma vez arriscar. Somos, definitivamente, incorrigíveis. Uma confluência de parceiros, tanto inesperada como planeada, deu-nos novo alento. Pelo menos por agora… Com eternos problemas económicos o Festival levava 3 longos anos sem nenhuma participação do outro lado do Atlântico. No fim de contas, embora o Jazz seja actualmente uma música universal, foram os americanos que o inventaram. Assim como são eles, com o resto do mundo, que o mantêm vivo, investigando, criando, traçando os seus novos caminhos. A proposta que fiz à editora lisboeta Clean Feed Trem Azul da gravação de um concerto ao vivo- no festival deu os seus frutos. O trio do acordeonista Will Holshouser, um artista que grava para eles, foi a proposta que surgiu. Companheiros de editora, já lhe conhecia o trabalho, que desde logo me surpreendeu. Empreendidas as inevitáveis negociações, com uma pré-disposição recíproca para o entendimento, este surgiu quase imediatamente. É assim que vamos ter de novo uma banda americana. Desta vez com uma componente muito grata ao Algarve: é um acordeonista que a lidera. Junto com os seus companheiros Ron Horton no trompete e David Phillips no contrabaixo, este grupo vai ser uma fantástica surpresa no dia 11, para encerrar o Festival. Mas não é tudo: a abrir esta 9º edição, no dia 8, vamos “ouver” a “Estranha Natureza” do Hugo Alves e do seu quarteto. Um exemplo a seguir pelos músicos algarvios contra os “velhos do Restelo”- aqui da terra, o Hugo subiu e subirá pela corda até onde quis ou quiser, não desistindo onde muitos conterrâneos seus arrearam. O seu rápido percurso e reconhecimento no jazz nacional é a prova mais evidente. Continuemos: sempre foi nossa política dar uma oportunidade aos novos. É assim que, desta vez, inventei um “summit” que reúne três das mais relevantes jovens promessas. A “Saxophone Mob”, sexteto que reúne os jovens Desidério Lázaro, Enrique Oliver e Wenzl McGowen nos saxofones, acompanhados pelo Giotto Roussies Trio, vão dar-nos a ouvir, no dia 9, o Jazz que a juventude está a fazer aqui pelas bandas do sul da península. É extremamente gratificante saber que a maioria desta gente ainda não fez vinte anos! Vai ser, asseguro-o, uma grande surpresa. Por fim, e na minha modesta opinião, o maior pianista de jazz português: Bernardo Sassetti. O Destino quis que nunca se tivesse proporcionado a sua vinda ao nosso Festival. Desta vez foi possível: Sassetti vem a solo, apresentar o seu novo trabalho: o CD duplo “Indigo”, uma obra incontornável para qualquer amante de Música. Note-se que digo Música e não Jazz, porque esta obra magnífica transcende qualquer catalogação. No dia 10, sentado sozinho diante da negritude do seu piano, o Bernardo vai-nos levar consigo para o mundo dos Sons. O mundo da Beleza. À laia de conclusão: ainda não desistimos, mas andamos a jogar com a Sorte. |
04 A 11 DEZ CAFÉ-CONCERTO NA ANTIGA FÁBRICA DA CERVEJA DAS 21H30 ÀS 02H00 04.SAB 05.DOM 06.SEG 07.TER DIAS 08, 09, 10 E 11 JAM SESSIONS ÀS 23H00 |
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